De regresso à vida dos dias, com os resquícios de uma gripe que não tem letra e pouca vontade desta casa.
Quer-me parecer que um blog é coisa sazonal que se veste em tons de outono-inverno, quando os dias não pedem rua e a temperatura não chama por mar e areia, quando a luz não é tão clara e o calor não me obriga a lareira e a teclados.
Não, decididamente, um blog não é coisa de verão, não combina com alcinhas e tops, não bronzeia, não sabe a gelado de morango, não sopra um vento bom de final de tarde enquanto se saboreia um livro, não é salgado, não tem cloro nem ondas para furar, não serve mojitos gelados nem caracóis em prato de plástico, ameijoas bem temperadas ou sapateiras debaixo de um chapéu de sol.
Um blog não tem circuito de manutenção entre jardins, não tem velas nem motor, não tem cadeira espreguiçadeira, não tem terraço soalheiro, não tem esplanada, não tem mesas com muitas cadeiras e quem nelas se sente a rir e a falar ao mesmo tempo. Um blog não tem uma conversas a dois, não tem gargalhadas infantis, não vende algodão doce, não deixa dormir a sesta, nem estender a toalha.
Nada disso, um blog é para dentro e, a mim, apetece-me "lá fora".
Acresce ainda que os blogs tendem a ser um pouco circulares, giram sobre si mesmos, sempre iguais e olhando ali para o meu índice do lado direito, eu estou um bocadinho farta mas não largo, estou viciada e não há adesivo que me livre disto, quero pôr um fim na história e não o encontro o esquema de doze passos que me conduza à cura.
Por isso, em suma, vou arejar as ideias e voltarei em breve ("breve" é um conceito amigo, suficientemente vago e porém próximo, "brevemente", pois então).
Bom fim-de-semana meus amigos.